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Anvisa proíbe “chás Mounjaro” e outros emagrecedores vendidos irregularmente no Brasil

Foto do escritor: Redação AFTV
Redação AFTV
22 de ago.
4 min de leitura

A popularidade das chamadas “canetas emagrecedoras” está sendo aproveitada para vender produtos que não têm relação com os medicamentos originais — e alguns deles agora entraram na mira da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A Anvisa determinou em 14 de agosto a apreensão e a proibição de uma série de produtos comercializados com nomes como “Mounjaro Turbo”, “Mounjaro 3x Turbo”, “Mounjaro Rosa” e “Mounfor X Emagrecedor”.

A medida impede fabricação, distribuição, comercialização, divulgação e uso desses produtos.

Segundo a Agência, os itens eram comercializados sem registro, notificação ou cadastro na Anvisa e, no caso dos supostos emagrecedores listados na resolução, eram produzidos por empresa desconhecida.

## Quais produtos foram proibidos?

A determinação da Anvisa atinge os seguintes produtos:

• Milagroso Ervas Black • Milagroso Ervas Mounjaro Turbo • Milagroso Ervas Mounjaro 3x Turbo • Milagroso Ervas Detox • Mounfor X Emagrecedor • Milagroso Ervas Cápsula Azul • Milagroso Ervas Mounjaro Rosa • Milagroso Ervas Mounjaro • Milagroso Ervas Vermelho • Milagroso Ervas

A medida está prevista na Resolução RE nº 3.161/2026.

A determinação não se limita às empresas responsáveis pela fabricação.

A comercialização e a divulgação desses produtos também estão proibidas.

## Chá Sarapião também entrou na fiscalização

Na mesma ação, a Anvisa determinou a apreensão do chamado Chá Sarapião, atribuído à empresa Natural Ervas Produtos Naturais Ltda., também identificada como Farmagon.

Segundo a Agência, o produto não possui registro, notificação ou cadastro na Anvisa.

Além disso, a empresa responsável não possui autorização para fabricação de medicamentos.

O Chá Sarapião também não pode ser comercializado, distribuído, fabricado, divulgado ou utilizado.

## Eles são versões naturais do Mounjaro?

Não.

Esse é provavelmente o ponto mais importante para o consumidor.

Mounjaro é o nome comercial de um medicamento cujo princípio ativo é a tirzepatida.

Os produtos atingidos pela nova resolução da Anvisa não devem ser confundidos com o medicamento original.

Usar palavras como “Mounjaro” no nome de um chá, cápsula ou produto anunciado para emagrecimento não significa que ele contenha tirzepatida, que tenha mecanismo de ação semelhante ou que produza os mesmos resultados do medicamento.

Também não significa que seja uma versão “natural” da caneta.

No caso dos produtos agora proibidos, a própria ausência de regularização sanitária impede que eles sejam tratados como alternativas equivalentes a medicamentos devidamente registrados.

## Por que produtos irregulares representam um problema?

Quando um produto não passa pelo processo sanitário necessário, questões básicas podem não ter sido adequadamente avaliadas.

Entre elas estão composição, qualidade, segurança, condições de fabricação e veracidade das alegações utilizadas para vendê-lo.

A própria Anvisa mantém uma relação de emagrecedores irregulares que já foram objeto de ações de fiscalização.

Segundo a Agência, produtos presentes nessa relação não tiveram sua segurança, eficácia e qualidade avaliadas pela Anvisa e/ou estão sendo comercializados irregularmente.

Isso é especialmente relevante em produtos vendidos com promessas de emagrecimento rápido.

## Popularidade das canetas criou mercado para imitações

A nova proibição não é um episódio isolado.

Ao longo de 2026, a Anvisa intensificou a fiscalização relacionada a produtos que exploram comercialmente a popularidade de medicamentos como Mounjaro e outros agonistas de GLP-1.

Em julho, por exemplo, a Agência determinou a apreensão de lotes falsificados do próprio Mounjaro depois que foram identificadas divergências em relação ao medicamento original.

Em outra operação, também foram proibidos produtos chamados “Mounjaro Natumix” e “Ozempic Natural Natumix”, que não possuíam registro, notificação ou cadastro sanitário.

Também houve ações envolvendo tirzepatida irregular e canetas comercializadas sem registro.

Ou seja: o problema vai além dos chás.

Existe um mercado crescente de produtos que utiliza nomes associados a medicamentos conhecidos para atrair consumidores interessados em emagrecimento.

## Anvisa intensificou fiscalização em 2026

A dimensão desse mercado levou a Agência a ampliar as ações de fiscalização.

Em abril, a Anvisa informou que havia realizado 11 inspeções em farmácias de manipulação e empresas importadoras relacionadas ao mercado de agonistas de GLP-1 em 2026.

Essas fiscalizações resultaram em oito interdições por problemas técnicos e ausência de controles adequados de qualidade.

Em ação conjunta com outros órgãos, mais de 1,3 milhão de unidades de medicamentos injetáveis irregulares, incluindo produtos relacionados à tirzepatida, chegaram a ser apreendidas.

Entre os problemas identificados pela fiscalização estavam falhas de esterilização, deficiências no controle de qualidade e utilização de insumos farmacêuticos cuja origem ou composição não estava adequadamente identificada.

## “Natural” não significa automaticamente seguro

O episódio também reforça um cuidado importante na compra de produtos anunciados na internet.

Expressões como “natural”, “chá”, “ervas” ou referências a medicamentos famosos não são garantia de segurança ou eficácia.

No caso de suplementos e outros produtos irregulares, a Anvisa aponta entre os problemas encontrados o uso de ingredientes não autorizados, alegações de saúde sem comprovação permitida, falhas de qualidade, propaganda enganosa e fabricantes de origem desconhecida.

Por isso, promessas de emagrecimento muito rápido ou comparações com medicamentos conhecidos devem ser vistas com cautela.

## Como verificar um produto?

A Anvisa mantém ferramentas públicas para consulta de produtos irregulares.

Antes de utilizar um produto anunciado como emagrecedor, principalmente quando comprado pela internet ou pelas redes sociais, o consumidor pode verificar se existem alertas ou medidas sanitárias relacionadas ao nome ou fabricante.

No caso de medicamentos, a recomendação da Agência é adquirir os produtos em estabelecimentos devidamente regularizados e, quando aplicável, observar as exigências de prescrição.

A mensagem principal da nova ação é simples:

Um produto usar “Mounjaro” no nome não faz dele uma versão natural, alternativa ou equivalente ao medicamento original.

No caso dos produtos atingidos pela Resolução RE nº 3.161/2026, a Anvisa determinou que eles sejam retirados de circulação e não sejam fabricados, comercializados, divulgados ou utilizados.

## Fontes

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) — “Anvisa proíbe chá e medicamentos que prometem efeito emagrecedor”, publicada em 14 de agosto de 2026.

Anvisa — Lista de emagrecedores irregulares.

Anvisa — “Anvisa anuncia novas medidas de combate a irregularidades na importação e manipulação de canetas emagrecedoras”, abril de 2026.

Anvisa — “Anvisa determina apreensão de lotes falsificados de Mounjaro”, julho de 2026.

UOL — “Anvisa proíbe chás que prometem efeito de canetas emagrecedoras”, 14 de agosto de 2026.

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